A ideia era simples: vender pãozinho delícia: um produto incrível, praticamente desconhecido na Região dos Lagos. A gente já sabia que era bom. Já acreditava no sucesso. O que ninguém sabia era o tamanho do trabalho que vinha pela frente.
O plano foi desenhado do jeito mais enxuto possível: um MVP para validar o produto e criar uma marca. Orçamento total: R$ 8.000. E olha o que coube dentro dele: anúncios, influenciadora, insumos, embalagens, utensílios, as caixas de produto para apresentar a marca ao mundo… e ainda a teimosia de segurar R$ 2.000 de capital de giro. Cada real foi espremido até a última gota.
No dia 18 de junho de 2026, a primeira caixa foi vendida para uma pessoa completamente desconhecida, fruto do primeiro dia de anúncio. Ali a Baianah deixou de ser um plano.
Nunca tínhamos trabalhado com esse produto, e cada semana revelava uma necessidade nova. A cozinha de casa parou de ser da casa: enquanto tinha pão sendo feito, nada mais podia acontecer ali, porque tudo impactava no resultado final. E isso foi só o começo:
Tudo isso foi enfrentado com um capital inicial de R$ 8.000, e ainda tentando segurar R$ 2.000 de capital de giro no caixa.
Muito aprendizado, risada, ideias, suor, lágrimas. E muito, muito, muito trabalho.
A disputa pelo topo foi acirrada até o último pedido:
E a cidade que mais pediu? Cabo Frio, com 117 entregas, seguida por Araruama (48), São Pedro da Aldeia (28) e Búzios (18).
O plano era vender pão. A realidade pediu espaço dedicado, utensílios, freezer, forno, sistema, contabilidade, anúncios, conteúdo diário, atendimento imediato… e a gente foi entregando, um marco de cada vez:
O capital inicial do projeto, para anúncios, influenciadora, ingredientes e embalagens: o lançamento da marca.
Primeira caixa vendida a uma desconhecida, no primeiro dia de anúncio. Nasce oficialmente a Baianah.
R$ 1.974 para a Baianah ser nossa de verdade, no papel e no cartório. Investimento por fora, adiantado pela Verônica.
Cardápio próprio evolui: pediu até o corte, recebe hoje à tarde. Poucas padarias artesanais entregam isso.
Forno turbo elétrico + bancada (R$ 2.619): a cozinha de casa vira uma mini fábrica. Não saiu dos R$ 8.000: investimento por fora, adiantado pela Verônica, que virou patrimônio da empresa.
Pix e cartão direto no cardápio, com pedido caindo sozinho no painel. Um e-commerce completo, feito em casa.
Recorde que viria a se repetir. E a base de clientes não parou de crescer.
R$ 2.551 em capacidade de produção e estoque. De novo: fora do aporte, investimento adiantado pela Verônica, ressarcido quando houver lucro.
Layout novo, sacola em dois passos e modo lojista para editar tudo sem depender de ninguém. Da tela do celular ao pagamento, a experiência de uma marca grande. Na semana seguinte veio a melhor semana da história.
Sabor novo entrando, combo saindo, edição limitada, oferta da semana. Quem volta precisa encontrar novidade, senão fica a sensação de que é sempre tudo igual. Cardápio parado é cliente parado. Isso virou um trabalho fixo de todo mês: criar, testar, fotografar, precificar e lançar.
44 pedidos em 7 dias, 6,3 por dia. A prova de que a máquina funciona quando tudo se alinha.
R$ 1.079 movimentados em 9 pedidos. O ticket cresce junto com a marca.
De 7 pedidos na primeira semana a 42 na melhor delas. Não é sorte: é base de clientes sendo construída, semana após semana.
Para cada caixa entregue, existe uma operação que precisou ser inventada do zero. Somos três, e cada um coloca aqui o que tem de mais valioso:
Os recheios doces e o frango cremoso, a alma do produto, são dela. Faz o pão junto com a Carine, traz ideias sem parar e foi quem acreditou primeiro: adiantou forno, freezer, barraca, estufa e marca.
Faz o pão, monta caixa por caixa e responde cada cliente no WhatsApp na hora, porque quem demora perde a venda. Ainda cuida da rede social, do conteúdo de todo dia e da criação dos anúncios.
Cardápio digital com pagamento, painel de pedidos, CRM, rotas, contabilidade e estoque, tudo desenvolvido em casa, sem agência. Ainda cuida da gestão e da análise das campanhas, todos os dias.
Anos de estrada em Publicidade e Tecnologia, gastos fazendo a empresa dos outros crescer. Agora essa experiência inteira está investida aqui, em tempo integral. É o capital que nenhum aporte compra.
O crescimento foi rápido. E crescimento custa. Cada real que entrou, saiu para sustentar uma operação cada vez maior: mais insumo, mais embalagem, mais mídia, mais conta de luz. Assim o dinheiro foi usado:
Somando tudo: R$ 20.353 em 76 dias, praticamente o mesmo que o pão faturou no período (R$ 20.357). O aporte de R$ 8.000 abriu a porta. O resto, a própria venda pagou.
Duas forças colocaram esta empresa de pé em 76 dias:
E mais açúcar, mais ovos, mais embalagem, mais água, mais luz… mais tudo. E os anúncios nunca saíram do ar. Esse crescimento inteiro, quem bancou foi a própria venda de pão: julho e agosto fecharam com as vendas cobrindo os custos do mês.
E tem uma parte desse dinheiro que não aparece em gráfico nenhum: o estoque. Três estoques cheios, de insumo, de embalagem e de produto pronto, todos comprados com a venda de pão. Estoque é dinheiro. Está na prateleira, no freezer e nas caixas, e é da Baianah.
Hoje, cada pedido deixa R$ 83,43 de produto. Tirando ~R$ 26 de insumo e embalagem e ~R$ 35 de mídia, sobram cerca de R$ 22 por pedido para custos fixos e lucro. A entrega, o cliente paga à parte.
Mesmo produto, mesmo começo, mesmo canal. Antes da loja física, a Oxe Pãozinho (São Paulo) vendia do jeito que a Baianah vende hoje: só delivery, ticket na mesma faixa, capital parecido. Os números, lado a lado:
Cozinha do apartamento. 3 clientes.
Instagram e boca a boca. Sai do apartamento para um espaço maior. A reportagem não dá os números desses meses.
Fábrica, seis meses depois do começo. Chega a 300 pães por dia.
Primeira loja, na frente da fábrica.
R$ 200 mil por mês. 18 funcionários.
R$ 1.777. 391 pães. Aporte de R$ 8.000, cozinha de casa.
R$ 8.837. 1.670 pães. Primeiro dia com 10 pedidos.
R$ 9.417. 1.799 pães. Melhor semana: 44 pedidos. Três dias com 10 pedidos.
Cookies, iFood, hotéis e pousadas, cerimonialistas, feiras, base de clientes. Crescer em vendas, não em espaço.
Não dá para deixar todos os ovos numa cesta só. Levar a marca ao próximo nível exige capital em dinheiro e capital em suor, nessas frentes:
Projeto novo da Verônica, com insumos, receita e produção próprias. Entra com centro de custo separado desde o primeiro real, sem sair do caixa dos pães.
Embalagem encanta. Mas antes precisa sobreviver ao teste de stress da entrega: papel que não engordura, caixas empilháveis e seguras.
213 clientes já conquistados, e só 13% recompraram até hoje. Ofertas, raspadinha, gamificação e lançamentos para vender de novo a quem já ama, com custo de mídia zero.
É o que traz cliente novo todo dia. Não pode parar nunca. Influenciador é frente separada do patrocinado: traz dinâmica, formatos novos e, acima de tudo, credibilidade.
Caro nas taxas e retém o dinheiro por 30 dias. Exige giro e precificação certa. Mas dá visibilidade: a estratégia é conquistar o cliente lá e trazê-lo para comprar direto conosco.
Kit degustação na mão dos melhores hotéis da região: clientes fixos e receita mensal previsível.
Mesma lógica, outro público: quem organiza festas compra em grande quantidade, e a cozinha já trabalha só com caixa fechada.
Mapear todas, planejar produtos e meta de venda por feira. A barraca já existe (mais um investimento adiantado pela Verônica que virou patrimônio); falta a comunicação específica.
Food truck ou loja física? Fica para a próxima fase, com a base maior e o caixa mais forte.
O pãozinho nos ensinou o método: começar enxuto, validar com dinheiro pequeno, só então escalar. Os cookies são um projeto novo (insumos novos, receita nova, produção nova) e merecem o mesmo ritual de lançamento que a Baianah teve em junho:
Caixa, insumo e embalagem dos cookies separados dos pães desde o primeiro real. O investimento não sai da conta da Baianah pães: cada produto prova o próprio valor.
Campanha própria de estreia, com tráfego pago e micro influenciadores exclusivos do lançamento, o mesmo caminho que fez a primeira caixa de pão ser vendida a uma desconhecida em 18/06.
Cookies de mais de 90g, generosos no recheio, daquele estilo que aparece na foto. Vendidos individualmente, com embalagem simples no início, sem personalização.
Definir o número antes de começar. Por exemplo, X cookies vendidos nas primeiras 3 semanas. Bateu? Aí sim: embalagem personalizada, mais sabores e lugar fixo no portfólio.
Bolo e cocada sempre viveram dentro de combos e cestas, então o justo é olhar quanto esses combos giraram em 76 dias:
Sugestão baseada nos números dos primeiros 76 dias, para discutirmos juntos. A lógica: uma parte alimenta o motor que já provou funcionar, uma parte lança os cookies do zero, uma parte abre o iFood e o B2B, e estoque mais reserva garantem que a produção maior não trave.
A conta do retorno. A meta é passar de 10 pedidos por dia, todo dia, somando mais anúncios, mais influenciadores, o iFood e as novas frentes de contato com o cliente. Isso sem contar os cookies. São 300 pedidos por mês: faturamento de R$ 25 mil por mês.